quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

A LUZ INVISÍVEL

Há muito que não te visitava querido blogue.  Em 2019 não escrevi muito aqui, mas regressei aqui muitas vezes a este ancoradouro.

No entanto, vou escrevendo no instagram, nos diversos cadernos que tenho e na vida cheia de versos irregulares e rimas imperfeitas. Em janeiro irei fazer um curso de escrita criativa com a minha Isabel Saldanha que tanto admiro e prometo melhoria e intensidade da palavra no blogue - primeira resolução de ano novo (check!)

Como o ano ainda não acabou, ainda vou a tempo de alguma redenção por aqui.

E hoje. Neste dia tão cheio de tudo. Quilometrado de vento e chuva e alertas e Elsas foi uma chamada que me chamou para aqui, uma luz no dia-a-dia.

Com alguma parcimónia contavam-me algo que eu nem sonhava que haviam feito por mim. Se tivesse por momentos saído de mim e me observado, teria visto uma criança na manhã de 25 de dezembro depois de observar que debaixo da árvore estava tudo o que havia pedido.

E logo, a luz que se acendeu em mim foi a quantidade de não sabemos, de não sonhamos e de não controlamos que existem em nós e para nós. Tantos nós invisíveis que nos ligam mesmo sem se quer os conhecermos.

Nesta época de presentes e de notificações e publicações vem me à cabeça a gratidão por todos os invisíveis que nem os sonhos me revelam e depois decido todos os invisíveis que quero presentear.

Que invisível vão oferecer neste Natal, até ao final do ano e no próximo ano?

A respiração do «essencial é invisível aos olhos» nunca me fez tanto sentido Principezinho.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Encontro.

Hoje encontrei-te.

Continuas a ser o amor bonito e limpo.

Hoje encontrei-te e continuas a ser o amor que nunca perdi,

O nosso amor continua a ser esse, o nosso, que cabe na palma da mão como um tesouro que guardo para lá do tempo que passou.

Num vazio da ausência que se toca e aquece numa lareira de lenha ardida de noites aconchegadas a mergulhos de água salgada.

Olho para ti e ainda vives na minha bolsa de kanguru, ainda vejo o terno olhar a pedir-me "Maria mais uma vez até sermos felizes para sempre."

Meu M. de mar infinito, meu M. de coragem que não tem medo de nenhum adamastor desta vida porque se sabe senhora do oceano.


segunda-feira, 27 de maio de 2019

Fomos à cave.

É segunda-feira.

Está um dia cinzento.

Por dentro há medo e esperança.

Visto me de verde a fim de reforçar a coragem em mim e espantar qualquer medo que possa existir, a fé é uma escolha, aprendo todos os dias.

Hoje dei um passo importante aqui em casa - estou muito contente e orgulhosa.

Visitei a cave com a maior. Deu-me a mão. E fomos pé ante pé. Agarrada ao corrimão.

A cave era um lugar muito escuro que provocava muita dor e medo só de pensar que ela existia aqui em casa.

Desci as escadas - abri devagar a porta e entrei.

Sinto-me como uma criança que hoje dormirá pela primeira vez sozinha na sua cama e não terá pesadelos.

Na casa deixou de haver mas e vive agora o apesar de, ou seja, a casa era bonita e arrumada mas tinha a cave onde a dona da casa tinha medo porque esteve durante muito tempo escuro e a dona da casa tinha medo de entrar, ela achava que por lá moravam muitos ratos e cobras para passar a ser a casa onde apesar dos ratos e cobras que ela pensava que lá viviam, ela decidiu acender a luz.


quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

É a vida Manel!

É em dias como os de hoje, com chuva e frio que, gosto de regressar a Cabanas de Tavira.

Estava na praia. (quando estamos off e no verão ficamos muitas vezes porque nada é eterno e a bateria de um iphone muito menos, o sentidos ficam mais on)

Comecei a ouvir.

- Oh pai olha lá para ela!

Resposta dela:

- É a vida Manel!

(continuou)

- Oh mãe olha lá para ela!!!

- É a vida Manel.

- Oh pai, tu estás só no telefone e a mana não para de me atirar areia pra cima!

- É a vida Manel.

(sem julgamentos ou apoios aos pais na repreensão ou na ausência dela, o que me ficou mesmo foi "é a vida Manel".

Somos muitas vezes como o Manel, deixamos que nos atirem areia para cima à espera que os outros intervenham, à espera que os outros parem, queixando-nos sem agir, sem defesa, conformando-nos, ficando à espera que outros façam quando nós podemos fazer.

É mais fácil quando transferimos a responsabilidade mas somos mais poderosos quando encontramos dentro de nós a resolução. E ela quase sempre está lá, Manel tinhas um mar todo para responder aos grãos de areia.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

2018 O ANO TRAMPOLIM E GOSTO DE TI ASSIM

Este ano foi sem dúvida um mês de reencontro e aproximação de muitas pessoas bonitas e afastamento de outras e está tudo bem.

Janeiro reencontrei a minha Catarina Lobinho, podem passar anos que sempre que nos encontramos parece que foi ontem, contou-me a sua história bonita que me encheu de esperança no amor. Corri muito em modo festejo de blogue com a minha Vânia bonita. Festejei uma mão cheia da minha Pilar luz neste amor para a vida toda que trago dentro.

Fevereiro reencontrei me com uma das minha chinesas poderosas - é sempre rir até doer a barriga. Iniciei uma nova aventura com mais reencontros desta ora com as minhas alamitas queridas que me trouxe paz, desapego e serenidade - os trilhos da minha rota Vicentina, uma médica, uma fisioterapeuta, uma pintora e uma advogada numa aventura perfeita de mochila às costas.
Chorei muito neste meu mês - lágrimas essas que me permitiram ver melhor. Recebi uma festa surpresa de presente com a presença de quase todos.

Março mês trail. Mês corrida. Mês de muito trabalho. Mês em que saindo fora do trilho habitual me enfiei sozinha num hotel a descansar com tudo o que tinha direito, o nervoso miudinho era tanto que nem conseguia dormir por querer viver tudo ao segundo - Luz houses é um spot e pêras!

Abril águas mil. Saí mais uma vez da minha zona de conforto. Passei a Páscoa com as minhas famílias do coração que generosamente me receberam. Andei de karts e respirei fundo num Monchique bonito. Visitei a Madeira maravilhosa com a flor mais bonita que Deus me deu.

Maio descomplicado com o livro da minha Sofia querida.

Junho riso. Regresso aos trilhos. Mês vida do dr querido. Mês Peniche. Mês Portugal.

Julho o mês que nasceu mais uma sobrinha querida, a filha do meu melhor amigo, a minha Clara. Mês mundo. Mês de partida.

Agosto és sempre o mês Tavira. Cheio de luz. Perdas, encontros, reencontros e milagres. Uma nova aurora e o até logo da minha Marta liberdade que é sempre da minha casa e eu da dela.

Setembro quente e cheio de lições. Demore o tempo que demorar sempre encontraremos o sentido de tudo o que nos acontece. Foi duro mas banhos no Alqueva e bons amigos tudo curam. Festejamos 39 anos de casados num turismo bonito, manas unidas conseguiram preparar uma surpresa aos meus pais queridos.

Outubro e uma mão cheia da moça sineense. Viagem a Paris, Giverny e Disneyland com a minha Cátia capaz, tantas gargalhadas e lugares bonitos e voos cancelados. O primeiro trilho com os meus velhinhos.

Novembro será sempre o mês renovação. Festejo o dia 17 como sendo o dia do meu aniversário. Foi ali que a viagem começou para nunca mais parar. Dra Mariana Magalhães obrigada por cuidar com tanto profissionalismo e amor de todas as minhas dores, a ultrapassar todas as minhas crenças, a de mão dada comigo ajudar me a ser uma pessoa melhor.

Dezembro regresso a correr depois de uma lesão. Entendi que o amor que damos nunca se perde. Depois de muitas lágrimas, este foi um ano em descobri novas ferramentas para melhor me relacionar. Como estou mais confiante e mais segura tenho relações mais livres e mais empáticas e muito mais saudáveis que até então e por isso não posso estar mais feliz.

Digo que este foi o ano trampolim porque chorei muito, contudo foram lágrimas reparadoras e que me impulsionaram a sair da zona de conforto, ou seja, escrevi uma história diferente que deu mais sentido a tudo. Quando dói é o alerta necessário para fazer diferente, olhar para dentro, descobrir e redescobrir luzes novas um dia-a-dia diferente.

O que mais me marcou foi saber-me amada pela minha mãe. Parece óbvio não é? Toda gente se sabe amado por uma mãe. Eu não tinha essa certeza, pelo contrário vivia nessa insegurança. Sou a terceira, depois da minha irmã mais velha que nasceu com um problema grave de visão, e dois que estão no céu. Sobrevivi a uma cesariana e a dois quilos de gente e a uma meningite. A minha mãe sempre me viu forte, como se nunca fosse necessária para mim, mal sabia ela o que eu sofria com a falta dela. Percebemos as duas, eu que ela gostava de mim só o manifestava de forma diferente, ela que me fazia muita falta.

Relembro sempre que só seremos bons para os demais se formos bons conosco.

Obrigada, obrigada, obrigada a todos os que me ajudam a ser melhor pessoa, melhor filha, melhor amiga, melhor mulher - sinto me muito feliz por ter gente muito boa na minha vida, percebi que não são muitos mas são mesmo espectaculares.

Continuamos juntos em 2019, só peço saúde e vontade para continuar à procura da melhor versão, o resto eu sei que chega tudo sempre no momento certo. Sem planos para te receber querido ano, conto com as tuas surpresas.


P.S. Prometo escrever mais no blogue, prometo esforçar-me por ter mais luz e por isso partilhá-la com os demais.

sábado, 24 de novembro de 2018

De Outra Vida, para Aqui




Foi há três anos.

De vez em quando gosto de lá ir, espreitar pela porta do postigo, como quem vê quem é e quem foi, onde esteve e onde está.

Olho-te. Emociono-me contigo. És mesmo uma miúda que aprendeu a ser forte!

Lembro-me do que trazia vestido, lembro me das horas - cerca das sete da tarde, era outono e era de noite escura. Cheguei atrasada. (30 anos atrasada até chegares a ti).

(Quer dizer... de vez em quando ainda te esqueces dos trabalhos de casa, levas recado na caderneta, vais até ao postigo e voltas a andar na linha)

Mesmo saindo do trilho tens iluminado as tuas sombras e feito por ti.

Trazias o vestido azul de balão, o cabelo preto como devia andar o teu pulmão - quando fumavas um cigarro a seguir ao outro em jejum pela noite fora.

Hoje, jejum só na caminhada e preto só o tinto - a tua qualidade de vida aumentou.

A maior disse-te "Andou num barco em mar alto e à deriva. Leva-se muita pancada, o que está aí é isso." - depois de ter perguntado se estava doente.

Tenho sido um marinheiro aplicado e governado o barco como nunca, até então.

No outro dia contava-lhe que tinha encontrado uma pessoa desse tempo de há três anos atrás, perguntou-me o que tinha sentido - disse-lhe que reconhecia como uma personagem que fez parte da história.

" Como se fosse de outra vida?"

- Sim, como se fosse de outra vida. Antes de chegar aqui.


terça-feira, 23 de outubro de 2018



Entre o Cais e a Barqueta

Trago isto para escrever desde as férias no Algarve mais bonito que conheço.
 
Nas Cabanas que pelo segundo ano decido habitar durante uma semana.
 
A semana do areal comprido, da água transparente e da barqueta necessária.
 
Para muitos a barqueta pode ser empecilho que nem uma dor nas costas, para mim é e foi oportunidade de luz no dia-a-dia.
 
Aquando da entrada na barqueta - "Sabe porque é que balança? Quanto mais tempo demora a decidir mais ele oscila e mais perigo corre em cair à água..."
 
Quanto cheguei à outra margem da Ria Formosa, saí sem pestanejar, numa pegada só que nem um penalty de medronho e, disse-lhe: "Tire me aí uma fotografia que isto vai dar um texto do caraças."
 
Naqueles cinco minutos entre margens pensei em como as indecisões e os seus tempos nos fazem tremer e balançar e quantas vezes caímos à água... esperar que decidam por nós, esperar que o barco pare de tremer, quando o destino do barco é o iceberg ou afundar.
 
O salto para o cais ou para dentro daquele ou de outro barco é nosso.  Então do que dependemos mais? Se não da nossa decisão livre, que pode até ser de cair à água mas foi porque quisemos e não porque afundamos com o barco.
 
P.S. Sempre que penso em escrever sobre uma luz no dia-a-dia encontramo-nos muitas vezes até chegar ao blogue, encontrei isto escrito numa estação de comboios e achei que fazia sentido terminar assim: "Enquanto vais e vens, ainda tens tempo para me agarrar aqui. e enquanto vais, eu já fui e voltei e tu ficaste a pensar... eu nem pensei, fui."